eu tenho medo de não conseguir. de não conseguir fazer algo. de não conseguir viajar o mundo. de não conseguir ter algo que me dê dinheiro. eu tenho medo de ficar encostada feito lixo, feito esses bichos, massacrados em matadouros, que não tem a menor chance de escolher seu próprio caminho porque não lhes foi dado tempo. esse tempo de amadurecer naturalmente e não a base de "amadurecedores artificiais". eu não sei se vou conseguir um apartamento em L.A. ou se farei uma especialização no japão. eu só queria ter o que eu não tive para que eu pudesse competir igual com as outras pessoas. competir no sentido de ir junto. estou quase 25 anos atrasada em relação ao mundo que eu deveria ter.
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será que
você poderia escrever todos os dias, mesmo que nunca fosse pra mim, só pra eu não me sentir tão sozinha? só de imaginar a sua voz dando vida a cada palavra que escreve, eu consigo quase que me sentir numa conversa gostosa com você. é que eu sinto saudade de vozes, sabe? e de barulhos... as músicas já não conseguem me preencher. porque eu me vejo dentro delas, como a protagonista. e assim, não é me acrescentado mais nada, como seria se fosse o pensamento de um outro projetado nas vozes ou nos barulhos... e não os meus próprios sons... sinto saudade do barulho que a minha irmã faz quando toca o violão - ela está aprendendo. sinto saudade do barulho das chaves do meu pai quando chega em casa. sinto saudade do barulho dos estralos dos ossos da minha mãe - e eu descobri que os meus também estralam. sinto saudade do galão de água da cozinha fazendo barulho quando solta bolha - o meu não faz isso. sinto saudade até do ronco do meu pai. e do barulho que ele faz no colchão de molas qu...
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